A Ducati apresentou na semana passada o seu novo motor de quatro cilindros que irá passar a ser a referência entre as suas superdesportivas. Mas este não é o primeiro quatro cilindros que desenvolve, o Apolo foi o primeiro. É um projecto dos anos sessenta muito antes dos bicilíndrico em “L” ganharem a importância que tiveram até hoje.

Na minha primeira visita ao Museu Ducati, no início do milénio, surpreendeu-me a presença de um motor de quatro cilindros, o Apolo, uma unidade que nunca passou à produção (na remodelação de 2016 esta peça deixou de estar presente na exposição permanente). A sua história podia dar um filme, mas limito-me a relatar sucintamente a história de um projecto que poderia ter sido a primeira grande “superbike” e não foi por causa dos pneus.

O projecto Apolo data dos inícios dos anos sessenta, nascendo da necessidade que o importador americano da altura Berliner Motor Corporation tinha em entrar no lucrativo concurso de fornecimento de motos para a polícia norte americana. O produto teria de ter um motor de 1200 cc, bater em prestações as Harley Davidson e ser interessante para vender ao público. Fabio Taglioni foi o engenheiro responsável pelo desenvolvimento do novo projecto.

O resultado foi a Apolo (nome das missões espaciais da altura) uma moto com motor com quatro cilindros em V de 1257 cc capaz de produzir 100 cv e atingir 190 Km/h numa versão inicial. Depois de muitos problemas de resistência dos pneus esta potência passou para 80 cv e desceu posteriormente para 65 cv, a única forma de garantir uma sobrevivência aceitável para os pneus. Está pronta e é apresentada em 1964, com umas especificações finais que significavam ser batida pelas unidades bicilíndricas da BMW e das motos britânicas.

Com base no limitado mercado que se previa para o modelo o governo italiano retirou os fundos de apoio necessários para desenvolver a maquinaria para produzir a Apolo em série. O projecto italiano Apolo foi terminado pela fraca tecnologia dos pneus dos anos sessenta, uma moto que poderia ter sido a primeira superbike. Foram produzidos dois protótipos, um preto e branco que pertence a Hiroake Iwashita e está no seu museu na Ilha de Kyushu e uma dourada da qual se desconhece o paradeiro.